Jorge Fernando
 

"Esse filme veio na hora certa. A minha intuição sempre me leva aos caminhos certos e as horas certas."

A sua primeira experiência no cinema saiu do jeito que você planejava?
Sempre fui fã de cinema, um verdadeiro apaixonado. Cresci vendo cinema no Cine Cachambí de Del Castilho. Vivia para ir ao cinema.
Depois de um tempo, comecei a fazer teatro, um teatro de palavra, feito dentro da sala de aula, dentro de ônibus, e até mesmo ao ar livre. O cinema era muito distante da minha realidade, por isso a minha paixão pelo teatro virou realidade mais cedo.
Depois veio a televisão que foi a minha verdadeira faculdade, e ainda é. É o melhor exercício pois me obriga a ser bom em vários gêneros. Fazer televisão serviu como um ensaio de 20 e poucos anos para que pudesse fazer meu primeiro filme. Todas as vezes que pensava em fazer cinema achava que tinha que parar tudo, todas as minhas outras atividades para me dedicar exclusivamente a ele, e isso era muito difícil acontecer. Então quando calhou da minha novela acabar mais cedo, de estar sem projetos na televisão, e o Daniel Filho ter que pegar um outro trabalho. Tudo aconteceu. Foi um presente mais uma vez vindo das mãos do Daniel: uma pessoa super importante na minha vida. Esse filme veio na hora certa. A minha intuição sempre me leva aos caminhos certos.
Qual foi a sua impressão sobre o roteiro mexicano?
O filme tinha uma concepção pesada como o próprio título sugeria "Sexo, Pudor Y Lágrimas", a minha sugestão foi usarmos "Sexo, Amor e Traição": algo que evoluísse para cima, que discutisse pessoas como capazes de dizer eu te amo duas vezes ao dia para pessoas diferentes, sem que esteja mentindo para nenhuma delas. Nesse filme eu pude perceber que além de uma boa história, os personagens poderiam ser subvertidos para falar de uma realidade maior, de uma angústia maior, como se relacionar nos dias de hoje e conviver com alguém. Todos nós vivemos problemas muito parecidos.
Então quer dizer a sua participação nessa versão brasileira veio trazer mais leveza ao filme?
Eu acho que para os mexicanos a versão deles era leve. Para mim é que soava um pouco pesado discutir coisas passadas, e isso eu quis tirar do roteiro. Quis objetivar o filme pois não é porque um casal que termina separado tem que estar infeliz, quis dar uma positivada e uma saída para eles.
Outro aspecto legal no filme é o fato de nunca se saber a hora que você está sendo visto na sua própria casa, uma verdadeira janela indiscreta. Como são dois casais um de frente para o outro eles tem suas vidas devassadas. Tem a coisa do olhar e achar que viu alguma coisa, interpretações variadas. Isso tem a ver com o nosso cotidiano atual.
Você participou da escolha do elenco?
Foi muito difícil reunir um elenco como esse. É claro que já existia uma base, mas alguns mudaram de papéis. A chegada da Heloísa Périssé deu ao filme uma subversão ao personagem que eu achava muito obscuro. O filme ganhou muito com a entrada dela.
Eu gosto muito da direção mexicana, mas o filme logo no começo classifica os personagens como a boa, a má, o doido. Em nossa versão existe uma troca de bastão entre os seis personagens, é filme para ser assistido com um sorriso nos lábios.
Você tem alguma expectativa quanto ao sucesso do filme?
É muito imprevisível. Tudo mundo que começa um novo trabalho visa o sucesso. O momento agora é de fazer a criança. O sucesso independe da obra: será uma soma de coisas, como um bom lançamento, um bom teaser, grana para transformar isso num grande projeto, a hora certa, o momento exato, os cinemas precisos. Um conjunto de coisas...
Como está sendo fazer cinema?
Se eu pudesse escolher não teria outra vida. O cinema possibilita ao diretor dirigir o ator, que é o que eu mais gosto de fazer, pois enquanto eu faço de três a quatro cenas por dia no cinema, na televisão são feitas trinta cenas de cinco páginas cada. É como tocar uma boiada. Eu não me sinto começando, é como se eu estivesse fazendo a minha vigésima quinta novela.

 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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