Daniel Filho

"O Jorginho faz parte das pessoas que te dão alegria ao ver dando certo."

Como foi sua participação na adaptação do roteiro mexicano para o brasileiro Sexo Amor e Traição?
Inicialmente iria desistir. Depois pensei que podíamos acrescentar um sabor brasileiro no melodrama da versão mexicana, e foi a partir daí que começamos a trabalhar. No começo foi complicado. Chegamos a loucura de mudar tanto o roteiro original, ao ponto dele se transformar num outro filme. Então retomamos a estrutura mexicana e percebemos que o que faltava mesmo era o nosso sabor.
Em determinado momento, achei, também como co - produtor, que Jorge Fernando mesmo sem ter antes dirigido um filme, poderia faze-lo melhor do que eu. Com isso, estaria dando ao filme exatamente que eu não saberia dar: a alegria e o prazer de viver que ele consegue passar em todos os seus trabalhos. Além disso, estaria realizando seu grande sonho de dirigir um longa - metragem. E por isso me comprometi a ficar ao seu lado, o apoiando em seu primeiro trabalho.

O seu trabalho no filme foi dar um acompanhamento ao Jorge Fernando?
É, e isso não é nenhuma novidade para gente. Nós já fizemos muito isso na televisão. Aqui, nesse mesmo estúdio que estamos filmando, o Jorginho fez um teste comigo para ser ator de televisão. Depois disso, ele passou para direção impulsionado por alguns diretores como o Talma e o Paulo Ubiratan. Nós trabalhamos muito juntos, eu como produtor da Rede Globo e ele como diretor de novela e programas, como se pode ver essa relação é muito antiga e fácil de se levar.
Estou muito contente com a minha participação no cinema, principalmente por poder trabalhar com velhos companheiros. Fazer cinema não é nada fácil , e muitas vezes quando o diretor entra no set ele pode se perder num ritmo, ou em outro. Por isso é bom sempre ter alguém de fora que avalie se o conceito inicial ainda permanece.
Fazer cinema é como tocar uma música. Você sabe toca-la de uma só vez, mas se tiver que tocar somente uma única nota por dia é muito provável que sua interpretação final se modifique. Por isso é muito importante manter a verdadeira intenção do filme. Esse é um trabalho complicado, que envolve muita emoção, e é isso que eu estou desenvolvendo nesse filme.

Jorge Fernando sempre comenta que você foi o grande mentor de sua carreira. Como você o vê agora fazendo seu primeiro filme?
Depois de uma certa idade você vai vendo várias pessoas que começaram a carreira junto com você atingirem determinados pontos. Algumas delas te deixam tristes, mas o Jorginho faz parte das pessoas que te dão alegria ao ver dando certo. Na verdade ele não tinha o que dar errado.
Como foi construir esse elenco tão fantástico?
A montagem desse elenco foi uma evolução, até se chegar a um ponto em comum. Quando Jorginho entrou para a direção achei que ele também deveria opinar na escolha do elenco, mas praticamente não houveram mudanças, só algumas modificações no perfil do personagens. E assim chegamos ao elenco ideal. É como se a gente não pudesse querer melhor. O elenco é esse aí, e eu estou super satisfeito. Todos estão trabalhando num clima de harmonia e descontração, e quando isso acontece, é quase certo que tudo correrá bem. Com toda certeza o público também irá se contagiar e se divertir com esse elenco maravilhoso

Saiba mais sobre a história profissional de Daniel Filho >>